Panorama 360


Globalização Limitada

O processo de globalização no formato neoliberal em que se apresenta tem favorecido a especulação financeira dos grandes investidores dos países ricos. Assim, a globalização tem funcionado muito bem para minoria que está no topo da pirâmide econômica, enquanto a base continua enfraquecida e excluída do processo.

 

As economias emergentes, principalmente as que mantém altas taxas de juros como o Brasil, têm sido o principal alvo dos especuladores internacionais que investem por um período curto de tempo sem que a economia local tire algum proveito disso.

 

Entre algumas idéias sugeridas pelos economistas está a criação de regras para o capital especulativo como, por exemplo, a taxação gradativa inversamente proporcional ao período de tempo de investimento. Quanto menor o período de investimento, maior a taxação.

 

Por outro lado, a mão-de-obra barata dos países em desenvolvimento tem gerado grandes dores de cabeça para os trabalhadores europeus. Grandes empresas fecharam postos de trabalho nos países mais desenvolvidos e transferiram esses trabalhos para países onde a mão-de-obra é mais barata.

 

Tanto a especulação financeira sofrida pelos países em desenvolvimento quanto o emprego dos trabalhadores dos países mais ricos são questões que envolvem o desenvolvimento de mecanismos que assegurem a estabilidade econômica. Para os países pobres esse mecanismo deve assegurar o desenvolvimento com menor dependência das intempéries da economia mundial. Para os países ricos, deve assegurar o ciclo econômico natural da produção ao consumo.

 

Países mais ricos têm enfrentado outros problemas com a imigração de pessoas de suas ex-colônias, principalmente a França, em busca de melhores condições de vida e de trabalho. Vira-e-mexe irrompem protestos violentos de trabalhadores contra os imigrantes porque estes tomam seus empregos às custas de um salário menor. Na maioria das vezes, acabam se tornando atos racistas. Mas, este, é um outro assunto para um outro artigo.



Categoria: Globalização
Escrito por Mário Luís Magnani às 18h32
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Judeus e Árabes - Eterna Discussão

A julgar pelas declarações do presidente libanês, Emile Lahoud, o conflito entre Líbano e Israel iniciado em julho de 2006, e todos os demais conflitos envolvendo Israel, só terá fim com o cumprimento da resolução que demarca a criação do Estado Palestino.

 

Cita o presidente libanês que os grandes problemas do Líbano com Israel, além dos prisioneiros libaneses mantido em Israel, são os cerca de 500 mil palestinos que vivem no Líbano e o não cumprimento dos direitos palestinos de voltarem a Israel.

 

O próprio presidente libanês apóia abertamente a defesa do sul do Líbano pela milícia que faz muito mais que seu exército e afirma que o Hizbollah – Partido de Deus, em árabe - libertou o Líbano depois de 22 anos de ocupação israelense. Como os ataques a Israel, o Hizbollah vê sua popularidade crescer também no mundo árabe e Israel sofre como há muito tempo não sofria, com os ataques da milícia libanesa.

 

Duas vertentes fazem crescer o ódio árabe por Israel. Primeiro, o ideológico e motivo de conflitos até hoje que foi a criação do Estado de Israel por determinação da ONU numa divisão da então Palestina - na época dominada pelo Reino Unido - entre árabes e judeus e, em segundo lugar, pelo apoio que Israel recebe dos Estados Unidos. Este apoio americano à Israel, para alguns estudiosos da formação dos dois países, é baseado, entre outros fatos, no idealismo como base a formação dos dois países – a liberdade americana e o monoteísmo judeu.

 

O fato é que os judeus cresceram nos Estados Unidos e na mesma medida cresceu sua influência política e econômica naquele país. É fato, também, que Israel possui um exército muito forte e acostumado a conflitos e é, atualmente, um braço dos Unidos no Oriente Médio. Explicitamente, a troca de apoio entre os dois países é baseada na luta contra o terrorismo e contra regimes ditatoriais da região, porém, implicitamente existe um respeito mútuo que envolve o poder armamentista de cada um.



Categoria: Internacional
Escrito por Mário Luís Magnani às 11h40
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Terra de Ninguém (2)

A crise que toma conta das instituições brasileiras tende a levar a um caos social de proporções ainda não dimensionadas pela sociedade. A elite, mais preocupada em manter as aparências e manter-se distante dos problemas, realizando eventos de caridade apenas para aparecer na mídia e posar de filantrópica, ainda não percebeu que será a maior vítima do caos que se apresenta para o futuro.

 

Essa mesma elite finge não ver e ouvir o que passa a seu lado, mas continua preocupada com o preço do champagne francês e praticam a famosa Lei de Gérson, aquela que se aplica para quem gosta de tirar vantagem em tudo. Seguindo essa mesma “lei” políticos e empresários estão pouco preocupados com o que acontece nos subúrbios até que também estejam envolvidos em escândalos.

 

A polícia, agora, está acuada em seus próprios domínios e, sem poder de ação, não protege mais os cidadãos, pois, agora, está mais preocupada com a sua própria segurança e até mesmo o exército que ainda goza de credibilidade junto à opinião pública, acabou fazendo acordos com traficantes dos morros cariocas para recuperar as armas roubadas no início do ano e, assim, evitar divulgação de escândalos envolvendo pessoas importantes do seu escalão.

 

Algumas empresas, preocupadas com escândalos envolvendo o setor privado – vide Enron que forjava balanços nos EUA e Daslu com importações ilícitas no Brasil - - criaram um pacto em prol da integridade nos negócios e contra a corrupção. Isto, porque, estamos vendo no Brasil, uma mudança de valores na qual ser honesto é ser diferente.



Categoria: Brasil
Escrito por Mário Luís Magnani às 18h15
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Terra de Ninguém

 

No vazio deixado pelos programas sociais ineficientes dos governos e no vazio no bolso e na barriga de milhões de brasileiros, as facções criminosas aproveitam e colocam dinheiro e comida na casa de quem não tem.

 

Quantas mães e pais de família já disseram que traficantes põem leite em suas casa e que isso é o que importa para eles. Acredito que essa seja a opinião da maioria das pessoas que vive nas favelas brasileiras e não vêem perspectivas de dias melhores.

 

Em troca disso as famílias dão proteção e fazem “pequenos favores”, importantíssimos, para as organizações manterem seus interesses. Afinal, não existe almoço grátis.

 

Assim, conseguem manter a ordem na organização que cada vez mais se profissionaliza e ganham força a partir do momento em que se organizam e criam alianças. Para se filiar a um grupo, os sócios devem contribuir mensalmente, como se fosse um sindicato. Em troca, recebem facilidades dentro das cadeias e apoio judicial.

 

Nossos governos deveriam aprender um pouco mais com essas facções, não no quesito “dar o peixe”, mas “ensinar a pescar” e garantir condições para isso. Porém, anos e anos de descaso acabaram resultando no que se vê  hoje. População amedrontada e policiais com mais medo ainda.

 

Enquanto a sociedade brasileira se mantém inerte a toda onda de violência que se passa, o Brasil vai se tornando terra-de-ninguém. Talvez chegue o momento em que a segurança deixe de ser uma questão do Estado e se torne responsabilidade desses grupos. Quem sabe, assim, não estaremos mais seguros.  



Categoria: Brasil
Escrito por Mário Luís Magnani às 18h34
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Sobre Futebol e Política

Depois do fiasco da seleção do Brasil na Copa, muitos intelectuais demagogos, pensadores e formadores de opinião criticaram os gastos e o tratamento de reis que os jogadores receberam e questionaram que, mais uma vez o povo pagaria a conta. E que, todo esse dinheiro gasto com o futebol, poderia ter sido usado para matar a fome de muita gente e levar saneamento básico para tantos outros.

Mas, já que estamos falando de dinheiro gasto inutilmente, o que dizer dos gastos com as campanhas eleitorais de 2006 que rondam os R$ 90 milhões de reais por partido, no caso do PT e PSDB, conforme divulgado pela mídia? Acredito que há de haver discernimento entre um tipo de gasto e outro. Afinal, oficialmente, tanto o futebol quanto as eleições são patrocinados por empresas, privadas ou não.

No caso do futebol há de se entender que os jogadores são profissionais e muita gente fatura em cima deles. Empresas de materiais esportivos, patrocinadores de eventos como a Copa do Mundo usam o mundo do futebol como uma ferramenta de marketing. E, nada mais justo que os jogadores recebam pelo seu trabalho e pelo lucro que geram aos seus patrocinadores, assim como ocorre em tantas outras profissões como modelos e em outros esporte. Pode-se questionar os altos salários e valores envolvidos, assim como o tratamento de astros que recebem, mas não se pode culpá-los por isso.

Já o patrocínio de campanhas eleitorais é utilizado para que determinado candidato, se eleito, atenda a grupos interessados em benefício próprio. Ou será que os investidores em campanhas o fazem por filantropia, sem garantia de retorno de um investimento tão alto?

Então, o papel do eleito é distorcido quanto chega ao poder porque não atenderá aos interesses e necessidades de quem o elegeu. E isso, por si só, explica a diferença básica entre os investimentos profissionais e investimentos eleitoreiros.



Escrito por Mário Luís Magnani às 17h48
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